Eu poderia virar uma moça recatada que veste sutiãs vermelhos para dormir e se chama Adélia. Saberia tocar piano, claro, e recitaria Casimiro de Abreu, obras completas.
Ou poderia ser Cecília e ter dançado balé no Municipal até o fatídico dia em que quis ter meus pés bonitos. Passaria creme no corpo todas as manhãs e os moços cantariam meu cheiro de tutti fruti.
Quem sabe se eu me tornasse compulsiva por bolos e miosótis e passasse as tarde procurando um sabor mais doce no vento. Chamariam-me de Lú, mas só eu pronunciaria meu nome inteiro, Luzia.
Aí eu fico pensando que mudarei de endereço, mas o oceano que me banhará ainda será o mesmo. Atlântico baterá em minha varanda e delatará todas as minhas mentiras, e eu terei de fugir para longe, correndo desvairada pela Espanha até chegar na África. Lá, me pegarão distraída, repetindo devagarinho: eu atravessei o estreito de Gibraltar.
Enfim, não tenho heterônimo ainda nem mesmo pseudônimo, mas tenho fotos bonitas de Lannion, graças ao meu querido Flávio. Segundo ele, isso é puro cenário de Rapunzel.

Mais fotos de lá você encontra no flirck do Ade, the great (???).

agora só resta trançar os cabelos e esperar, no alto da torre.
ResponderExcluir=)
certamente vc será muitas nesses meses q te aguardam para além do oceano.
vamos marcar uma despedida?
bjosss