Li as cidades invisíveis (livro roubado pelo ladrão intelectual que robou meu carro, meus livros, meus discos e uma casa no campo). Depois vi Budapeste e detestei, mas comecei a pensar que as cidades tem mesmo cores. Yandra, uma amiga, esteve em Budapeste e disse que lá é mesmo cinza, assim como nenhum outro lugar. Daniela, outra grande amiga, já havia me dito que a Suíça era azul. Perguntei a Abdeil, o marroquino que me recebeu em Lannion, hesitante ele me disse: "Marrocos é vermelha". Penso que Brasília é uma cidade inegavelmente branca e talvez isso seja culpa de Lispector, Niemeyer e Mondrian.
Domingo, fui novamente à praia de Trestaou em Perros-Guirrec, na França. Sentei nas pedras olhando o mar, as casas, os barcos e no fim só posso dizer que Perros é amarela. Tudo tem assim um amarelo queimado, bruillé. Já Lannion, é uma cidade amarelinha, quase como o jogo e menos como o livro do Cortázar, que eu nunca li. Creio na verdade que toda Bretanha seja amarela, até mesmo a comida tem um gosto amarelo, uma eterna mostarda perpetuando na língua.
De tanto pensar que estou em um mundo amarelo, domingo, pintei-me de azul para contrastar, para lembrar que eu não sou daqui, mas que quero harmonizar com a estética. Domingo, fui mais azul que a menina azul do Hermeto, que o filme da Tóia, que os olhos dos franceses. Colori-me e espero que quando desbotar fique assim um tie-die, brega como todos os tie-dies, mas numa psicodelia infinita, saravá.
Para a insônia:
(não é francês, mas é muito Lannion)

pra mim, brasília é banca com marrom.
ResponderExcluirno momento, bem marrom...
ah, adorei a foto!
brasília é branca, quadrada e distante, definitivamente. tô achando mto bom esse blog! continue. bjos
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