L’arrivée
Quando descemos do aeroporto a palavra que veio foi “Paris!”. Aí, veio o metrô, quarenta quilos de bagagem e muitas escadas. No meio do caminho um brasileiro de camisa da seleção que mora na cidade e vive de garçom no verão e futebol no inverno.
Chegamos ao hotel cinco horas depois do avião pousar, os braços arriados. O moço do hotel percebeu, nos ajudou, mas esqueceu de falar que La Rue de fréres de voisin, onde estávamos, não era francesa, mas a cópia de Ipanema. No primeiro dia de Paris, me senti no Rio e quase ouvi o mar.
Deuxiéme jour
A palavra que veio quando acordamos foi “Ai!”. Interjeição é palavra? Agora não importa, mas meu corpo pedia cama e minha cabeça era turista. Saímos cedo, pegamos o metrô, mas desta vez sabíamos olhar o mapa. Existem milhões de linhas de metrô em Paris!
No subsolo, havia gente, gente em silêncio, os franceses não são de falar em público, lêem, olham os sapatos, se calam e eu e a Lívia, minha companheira de viagem, ficamos conversando a viagem inteira. À caminho da saída uma surpresa, um homem tocando acordeom. Senhores, meus pés guiaram os braços e tive de dançar, no meio do metrô, personagem de um romance inacabado.
No centro de Paris, os olhos se perdiam por entre as construções, as pinturas nas paredes , as ruas com nomes deliciosos, os fumantes de elegância mor, as flores nas janelas, o Senna, a Torre Eifel, o palácio de Varsóvia, o arco do Triunfo, o vendedor argelino de souvenirs. Uma lágrima. Paris, conta história demais para os olhos.
Visitamos também a avenida Mangenta. Completamente fora do circuito turístico, a rua tem malas baratas, vestidos de noiva e bananas. Tanto ecletismo capitalista, misturado às roupas dos árabes, fizeram de uma simples parada uma experiência fascinante: Paris pulsa, mas não aquela Paris, a outra.
Lannion (a coupe d’oeil)
O trem atrasou, as vacas tem nariz branco, a menininha chamando o bicho de pelúcia: popo (um pequeno hipopótamo rosa, é, as crianças são esdrúxulas).
A sensação de estar indo para o meio do nada se confirmou quando chegamos a gare du train. Abdeil, carinhosamente chamado de Abgail, (não, eu não falo árabe, mas juro que tentei) nos recebeu.
A cidade é minúscula o céu com cara de chuva e o peso de quarenta quilos de mala. “Vocês tem o dinheiro do aluguel?”, assim nos recebeu a moça da entrada da residência universitária. Depois nos deu milhões de folhas de papel e sem olhar na cara nos entregou a chave. A palavra foi: “Céus”. O quarto era que só poeira e eram 21h da noite, ainda claro, pois aqui anoitece depois das 21h.
Duas horas da manhã, eu me senti em casa. Mala arrumada, quarto limpo, o céu desanuvio.
Depois de duas noites
Não sinto fome, nem sono, só frio. O clima por enquanto está ameno na cidade, mas a noite esfria um bocado. Cinco horas de fuso horário, noite começando às 21h, sem farinha, carne, nem feijão.
Os franceses são lindos, mas de boca fechada, sim, eles tem os dentes marrons, amarelos, roxos, isso quando tem. Além disso há um eterno cheiro de cêce no ar.
O Ru é limpíssimo, a comida variada e deliciosa, mas tem umas coisas que eu não faço idéia do que são
Hoje consegui escrever a carta que prometi a meus priminhos. Ainda não tive tempo de comprar postais.
Comecei a fazer amigos franceses, a entender a lógica deles e me diverti em um pequeno bar de Lannion tentando explicar Chico Science, forró e mentiras sobre brasileiras, é preciso urgentemente acabar com os cartazes de brasileiras de fio dental.

ó, eu coleciono cartões e cartazes.
ResponderExcluirlembre-se de mim.
estou sempre me lembrando de você
amiga, será uma aventura e tanto, hein?!
ResponderExcluir=)
bjosss
ps. eu tb coleciono postais, rsrsrsrsrss
":)