
Senhores,
como podem ter visto estou com uma preguiça danada de escrever. Na verdade, anda muito bem a viagem, mil histórias, mil análises e um livro do Bachelard pendendo na estante (como ele entende o abstrato).
Ainda não será desta vez que me prolongarei em histórias. Estive em Barcelona semana passada. Turistei, em três dias lo que podemos hacer?
A cidade é linda, as pessoas guapíssimas e eu consegui arranhar o espanhol melhor do que esperava. Além do fato de que agora sei falar cabelereiro e faca em catalão (perruqueiro e canivete).
É preciso remarcar o estádio do Barcelona. Visitei vazio, pois aqui só tem jogos aos domingos, mas matei de inveja a flamenguista da Lívia quando vi flamulando (a parte do flamulando é licensa poética) uma bandeira enorme do Botafogo próximo a sala de troféus do Barça e do lado um pequeninha do Flamengo. Moderarei todos os comentários que desmereçam minha felicidade, hahahhaha.
Gaudí é uma ternura só e as varandas dele são cheias de mulheres descontruídas. De Dalí só senti o cheiro e no entanto ele me encheu a boca de moscas, mas moscas limpíssimas:
Na França vou tentando criar hábitos.
Agora chove muito e a Bretanha vai deixando seu amarelo escorrer nas ruas. Ah, Flávio, mas a beleza ainda est dans la rue.
Mamãe me mandou havaianas e farinha como presente do Brasil. Estou bem feliz. Farofa! Quase gritei, mas o peso do exotismo ainda pende nas costas. Uma merda isso.
Enfim, para minhas besteiras, roubei do Iuri, o brasileiro do andar de cima, uma cantora bem melosa, mas adorável que se chama Coralie Clement. Tem uma música linda que no refrão fala "la samba de mon coeur que bat". O fato de samba ser feminino em francês é bem estranho, mas enfim, samba do meu coração que bate é uma frase bem bonita, mesmo estando numa música de romance açucarado. E a melodia é jolie.

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