Journal, on danse,

Für Elisa

Hoje, eu passei o dia com vontade de falar sobre barulho de sapatos. Tinha o trechinho de uma música do Gil que dizia: "no espaço ali embaixo/ Entre a sola e o salto existe a imensidão".

Verdadeiramente não há nada mais cinematográfico que um corredor vazio, uma luz fraquinha e o eco de um toc, toc,toc,toc, surdo e imenso.
Você anda e o barulho te segue. Daí que se a gente fica prestando atenção tem a impressão de se transformar numa caixinha de música ambulante.
Toc, toc, toc. O êxtase é descobrir de onde sai aquela bailarina rodopiante.

"Il faut encore porter du chaos en soi pour pouvoir donner naissance à une étoile dansante", ainsi parlait Zarathoustra.

É claro que a minha mania de admiração por pequenezas é cada dia mais evidente. De uns tempos para cá venho perdendo a capacidade para metáforas. Fico com a impressão de ganhar uma pupila caledoscópio, um cérebro caledoscópio. O que significa ser uma combinação finita de fragmentos de vidro organizados aleatoriamente.

Um comentário:

  1. eu me envergonho dos meus tocs-tocs-tocs por aí.
    se pudesse, passava invisível por todos os lugares. mas inventei de começar a usar salto pra ficar um tantinho maior e estou me atormentando a mim mesmo com o marcar das minhas passadas, toc-toc-toc.
    =)

    bjosss

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